Eu estuprei minha filha

27 de maio de 2016

estupro coletivo, 33 estupradores, rio de janeiro, menina de 16 anos, bocão 64

Quando eu nasci me disseram que eu seria o terror das mulheres.
Quando eu mamei disseram que eu tinha intimidade com a coisa, e todos riram.
Quando eu tinha 6 anos, na primeira vez que fui no estádio, eu gritei junto com meu pai chamando a juíza de piranha.
Quando eu tinha 9 anos, minha professora disse que a culpa de eu ter passado a mão na bunda da minha amiga era dela e mandou bilhete pros pais pra tomarem cuidado com o tamanho do short.
Quando eu tinha 12 anos, eu forcei o meu primeiro beijo na… Qual era o nome dela mesmo?
Quando eu tinha 15 anos, a minha primeira transa foi ótima, pra mim.
Quando eu tinha 18 anos, peguei uma mina junto com três amigos porque ela tava bêbada e tava pedindo. Era só ver o jeito que ela dançava.
Quando eu tinha 20 anos, divulguei as fotos da minha ex na internet, porque a vagabunda deu prum cara lá. Ela que se foda.
Quando eu tinha 30 anos, peguei várias novinha. Elas tão tudo safada, mano. Essas novinha de hoje em dia…
Quando eu tinha 40 anos, contratei uma mina lá no trabalho gostosa pra caralho, e pra entrar ela teve que pagar um. Contei pra galera chegada e me invejaram.
Quando eu tinha 50 anos, botei a mão dentro do short da amiga da minha filha, e disse pra ela não falar pra ninguém.
Quando eu tinha 60 anos, a faculdade do meu filho chamou porque uma menina numa festa deu pra geral e foi parar na internet, e queriam dizer que meu filho estuprou ela, mas eu sou um bom pai e defendi ele abafando o caso com o reitor. Tudo pelo meu filho.
Quando eu tinha 70 anos, minha filha chegou em casa chorando. E eu não sabia o que fazer..

 


Este texto é ficcional, escrito no contexto do estupro coletivo de uma menina carioca por 33 homens, em maio de 2016. Que ele possa humilde e minimamente ajudar na reflexão do quanto nós como sociedade podemos e devemos construir um mundo melhor.

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Daniel Carvalho
Graduado em História pela UERJ e Mestre em Ensino de História pela UERJ-FFP. Fã de Francisco de Assis, papai (humano) da Chiquinha e do Lenin. Professor da Educação Básica pela Prefeitura de Macaé-RJ. Pesquisador pelo LEDDES-UERJ na área de Ensino de História e História Pública. Acha que é músico, mas na verdade é só de gêmeos.

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